Entregas e produção da Tesla no 1º trimestre de 2025
A Tesla publicou ontem os números globais do primeiro trimestre de 2025, e os resultados ficaram longe do esperado.
De janeiro a março, a montadora dos EUA entregou 336 681 veículos, o que representa uma queda de 12,96% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram entregues 386 810 unidades. Trata-se do patamar mais baixo dos últimos três anos e ficou bem abaixo do que o mercado projetava, com analistas estimando algo entre 360-370 mil unidades.
A fabricação também recuou de forma relevante nos três primeiros meses do ano: a produção caiu 19,51% e chegou a 362 615 unidades. Desse total, a ampla maioria - 345 454 unidades - foi de Model 3 e Model Y.
Distribuição por linhas de modelos
O grosso das entregas veio dos Model 3 e Model Y, que somados alcançaram 323 800 unidades. Já os outros 12 881 veículos correspondem às entregas de Cybertruck, Model S e Model X.
A Tesla não divulga os números por modelo individual. Ainda assim, na comparação do primeiro trimestre de 2025 com o mesmo período de 2024, as entregas de Model 3/Model Y recuaram 12,5%, enquanto as de Cybertruck/Model S/Model Y caíram bem mais: 24,35%.
Vendas em queda em vários mercados
A retração nas vendas da Tesla já era considerada provável, já que a empresa vem registrando quedas acentuadas em mercados-chave desde o começo do ano. Na Europa, por exemplo, até fevereiro, as vendas despencaram 49%, saindo de 37 311 unidades em 2024 para 19 046 unidades em 2025 (fonte: ACEA).
Mesmo assim, existem países em que a Tesla ainda cresce, como o Reino Unido e a Noruega. Porém, esses avanços não têm sido suficientes para compensar as perdas nos demais mercados.
Razões para o declínio
Embora Elon Musk, diretor executivo da Tesla, ainda não tenha comentado a queda nas vendas e na produção - a divulgação dos resultados financeiros ocorrerá em 22 de abril -, diferentes fatores têm sido apontados como explicação para esse recuo:
Concorrência e estratégias de preço: Na UE, apesar de as vendas de carros elétricos estarem subindo 31,4% (até fevereiro), as da Tesla caíram quase pela metade. Esse avanço do mercado pode ser associado às metas de emissões da UE, que pressionam as montadoras a vender mais veículos elétricos. Na prática, isso tem levado a cortes de preços e a campanhas agressivas de descontos, aumentando a competitividade.
Envolvimento político de Musk: O CEO da Tesla tem se alinhado à administração de Donald Trump, presidente dos EUA, e tem liderado o DOGE (Departamento de Eficiência do Governo), alvo de críticas por cortes bruscos realizados na máquina pública. Além disso, o apoio a partidos de extrema-direita, como ocorreu durante as eleições na Alemanha, tem levado muitos a venderem seus Tesla, além do surgimento de diversos atos de vandalismo.
Nova geração do Model Y: A Tesla já havia alertado para possíveis impactos na produção com a chegada do Model Y 2025 (Juniper). Na teleconferência de resultados de 2024, o diretor financeiro da empresa, Vaibhav Taneja, disse que a atualização do Model Y implicaria uma pausa de várias semanas na produção, o que poderia afetar as vendas no início de 2025. Agora, resta observar como as vendas do Model Y evoluem no segundo trimestre.
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