Faz quase dois anos que surgiu a notícia de um BMW M5 E39 que recebeu um motor W10 da Volkswagen. Isso mesmo… um conjunto em “W”, e não em “V”, com 10 cilindros.
Esse M5 foi a “«mula de testes»” escolhida pelos engenheiros da Volkswagen para colocar em prova esse motor nada comum - criado a partir da união de dois VR5 -, mas, no fim das contas, o intrigante W10 nunca entrou em produção em série.
Pelo que se comenta na internet, existem somente três unidades desse bloco W10 - e há um vídeo que exibe o motor de 10 cilindros “pelado”, fora do carro. Uma delas está montada neste BMW M5 E39 e, entre todas, é a única conhecida que ainda funciona.
A combinação ficou tão bem acertada que o próprio - e inflexível - Ferdinand Piëch, então no comando da Volkswagen, teria passado a usar esse protótipo de testes como carro pessoal.
Agora, a britânica DriveTribe apresenta essa história com bem mais detalhes, preenchendo as lacunas - e o melhor: foi até o M5 W10, guiou o carro e ainda o colocou em um banco de potência:
W10 é a cara de Ferdinand Piëch
Além de ter sido peça-chave para transformar o Grupo Volkswagen no gigante que é hoje, Piëch também tinha credenciais sólidas como engenheiro. No seu histórico estão projetos como o Audi Quattro e o Porsche 917 e, sem a sua insistência, provavelmente não teríamos o Bugatti Veyron (com um W16).
E há um traço comum em todos esses programas: a busca quase obsessiva por soluções técnicas inovadoras - e até exóticas. Foi por influência dele que os motores em W dentro da Volkswagen chegaram onde chegaram.
O W10, por sua vez, nasceu como uma derivação direta da família de motores em “W” da Volkswagen, que incluiu W8, W12 e W16. E ele não foi o único a ficar pelo caminho; também existiu um W18 que não saiu do papel da produção, embora tenha aparecido em um dos protótipos que antecederam o Veyron.
Quantos cavalos tem?
Quando a existência desse motor veio a público - e, principalmente, a da “«mula de testes»” na forma de um BMW M5 E39 -, a maior curiosidade era descobrir quais eram os números desse conjunto.
Até o anunciante - sim, o BMW M5 W10 ainda está à venda - trabalhava com a hipótese de que esse motor aspirado entregaria algo entre 450 cv e 500 cv (e 550 Nm). Agora, a DriveTribe acabou com a dúvida ao levá-lo a um banco de potência.
E o veredito? Entregou 480 cv, exatamente dentro do que se estimava. Isso representa 80 cv a mais do que o 4.9 V8 do M5 E39, com uma penalização de massa em torno de 40 kg - não deve ter qualquer dificuldade para andar muito bem…
Por que usar um BMW M5 como “«mula de testes»”?
Naquela época, o Grupo Volkswagen não tinha no catálogo nada realmente equivalente a um BMW M5 para testar um motor com potencial de chegar aos 500 cv.
O BMW M5 E39, em contrapartida, atendia a todos os requisitos: espaço suficiente no cofre, arquitetura adequada (motor longitudinal e tração traseira) e câmbio manual. Sem contar o chassi de referência, essencial para manter tudo sob controle.
Também havia outra meta: experimentar o uso desse W10 em condições reais, de forma discreta, fora do radar da imprensa e longe da concorrência.
Naquele contexto, um BMW rodando com motor Volkswagen seria algo impensável - justamente por isso, funcionava como o disfarce ideal. Além disso, o M5 E39 é bem discreto e poderia facilmente ser confundido com outros Série 5 mais “«pedestres»”.
No vídeo, dá para ver ainda o capricho aplicado na instalação do W10 no BMW M5 E39 - quase passa por um modelo de produção. Há adaptações sutis, sem qualquer impacto na estética original do M5 E39, mas que escondem uma raridade absoluta.
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